A história do tocheiro barroco John Somers

O principal modelo de tocheiro em estanho John Somers é uma réplica de peças feitas no Brasil. A teoria proposta é que foram feitos por prateiros proibidos de trabalhar em prata de 1766 a 1815. Teriam sido fundidos em areia, usando modelos talhados em madeira, ou pelo próprio prateiro ou por um dos muitos entalhadores habilidosos que trabalhavam no Brasil naquele tempo. As formas seguem de perto os estilos em voga na prata, porém, devido as limitações, impostas pelos modelos feitos madeira, tem suas linhas ligeiramente simplificadas.

O estanho, quando novo, se parece com a prata, portanto, somente após vários anos sem polimento estes magníficos tocheiros começariam a ter aquele tom acinzentado fosco que costumamos associar ao estanho velho avançamos a teoria que este tipo continua sendo produzido ate o século XIX. É o único modelo que aparece em localidades diversas num formato idêntico, indicando assim que esta forma de tocheiro foi produzido em quantidade e reforçando a teoria de que todos os outros modelos foram criados individualmente. Ele tem o teor de chumbo mais alto e notadamente menos desgaste e menos doença de estanho. É quase certo que tenham sido feitas pela mesma oficina, num período comercialmente mais sofisticado quando o estanho encontrado no Brasil já não tinha mais vantagem de preço sobre o chumbo importado. Certa vez, foi encontrado um castiçal que continha, enrolado dentro de sua coluna, um pedaço de jornal onde estava relatada a mudança da capital do estado de Ouro Preto para Belo Horizonte (1897). Aparentemente esta coluna nunca tinha sido consertada.

Os dois exemplares pintados que estiveram presentes na exposição, são os únicos tocheiros policromados conhecidos. Essa pintura não deve ser confundida com a rústica borração encontrada em outras peças da época, que provavelmente forma pintados nos últimos cem anos para esconder a doença de estanho, então incipiente e hoje avançada. É muito difícil oferecer explicações quanto a origem ou ao motivo dessa policromia. A solução deve se encontrar entre as seguintes hipóteses:

-Se as peças são do século XVIII como seu formato indica, então a ideia de pintar estanho ocorreu no Brasil no século XVIII, antes de se tornar normal na Europa, onde estava em moda por volta de 1820. Mas esta solução implica em aceitar o paradoxo de que um objeto cuja função é substituir a prata, seja pintado.

-Se a policromia é da mesma data de fabricação e se a ideia não foi inventada no Brasil, então os tocheiros são posteriores à 1820, apesar do seu aspecto nitidamente barroco. Isso é aceitável, quando nos lembramos nos grandes mestres do barroco brasileiro; Aleijadinho, que trabalhou até sua morte em 1814, e Athaíde, que só morreu em 1830. O barroco era o único estilo que os prateiros locais teriam usado ate 1835 – 40. mas este argumento ainda não explica o contrasenso de policromar prata.

-Pode ser que a pintura não seja original e tenha sido aplicada depois de alguns anos quando o brilho de prato do estanho já tinha escurecido. Porém é difícil acreditar que uma paróquia, que contava entre seus habitantes com pintores com senso de cores e bom senso suficiente para pintar esses dois pares de tocheiros, pudesse, ao mesmo tempo, ter sido tão culturalmente decadente que não conseguisse manter seus tocheiros brilhantes.

Para adquirir a réplica tocheiro barroco em estanho acesse o link: https://www.johnsomers.com.br/acessorios/tocheiro-barroco-p9

FONTE: “O estanho no Brasil” – Livro da exposição John Somers – São João Del Rey – Setembro de 1989.

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