Conheça a história das peças de estanho trazidas do naufrágio Utrecht (1648)

Em 1981 foram encontrados próximo a Itaparica, Bahia, os destroços do Utrecht, uma fragata holandesa a serviço da Companhia das Índias Ocidentais. O navio foi a pique em 1648 durante uma batalha contra os portugueses.

Os objetos de material orgânico apodreceram e desapareceram; os objetos de aço e ferro também enferrujaram e também desapareceram. Sobraram somente os objetos não orgânicos e não ferrosos como o latão, bronze, pedra, e acima de tudo estanho. O estanho achado no Utrecht constitui nesse momento, até que se encontre outro naufrágio mais importante, a maior coleção de estanho do mundo com data tão precoce e específica. O achado de Port Royal, Jamaica, é maior, mais é de 1699. O achado do Mary Rose é de 101 anos antes, mas a quantidade de estanho é muito menor.

O estado dos objetos, quando achados, variava entre quase perfeitos (como o clister uretral, ainda em estado para uso), completamente carcomidos, até quase irreconhecíveis, como por exemplo, o pedaço de clister maior, que só foi reconhecido em conexão com a comadre, usada concomitantemente.

O achado se divide em duas partes distintas: utensílios de uso diário dos oficiais, e utensílios (Gereetshappen, em holandês da época) do cirurgião. A primeira categoria contem utensílios de mesa, de comida, de bebida, muito interessantes e que concordam perfeitamente com as cenas de interiores, tão conhecidas da pintura holandesa da época; temos, por exemplo, o famoso pichel Jan Steen, com bico longo para facilitar seu uso à mesa. As colheres, as escudelas e a bacia grande, são provas da maneira de comer e do tipo de comida da época, a maior parte da qual era ensopado. O saleiro de estanho é muito interessante. Este formato alto, aberto, é visto em inúmeras Naturezas Mortas da época, em prata ou ouro. O nosso exemplar é um tambor ou cilindro, reversível, com duas pontas com depressões para o sal, de formato igual. Ainda não temos explicações para isso. O penico, utensílio pouco sujeito a modismos, corresponde exatamente aos tantos que aparecem com muita fidelidade de representação nos interiores da época.

Porém, o que imprime a este achado o cunho de excepcional é o grupo de objetos de uso médico. A identificação do conjunto inteiro se deve á inestimável ajuda da Sra. Odilia van Boetzelaer do Rijksmuseum, Amsterdam, que quando da descoberta deste naufrágio, estava pesquisando exatamente o equipamento de bordo dos navios da Companhia das Índias Orientais de meados do Século XVIII, e nos enviou uma cópia das instruções dadas aos cirurgiões destes navios, datada de 1739. Embora nosso navio tenha afundado 91 anos antes, a lista dos utensílios coincide quase que exatamente com o que achamos.

Os originais desses objetos se encontram, ou no museu da Marinha (RJ) e na John Somers Estanhos e Móveis.

O mais incrível disso tudo é que a nossa fábrica, atualmente em Tiradentes (MG), aceita encomendas das réplicas desse naufrágio. Assim, você que é um apreciador do design da época, amante de estanhos ou ainda um colecionador, pode ter qualquer um desses tesouros. Acesse nosso site ou entre em contato para fazer a sua encomenda.

Fonte: ” O estanho no Brasil” 1989

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